quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Demências

Choram as musas
a ausência dos poemas.

Guardam apenas
 a essência das palavras
entre a pele e alma.

Nos cabelos embaraçados,
nos vestidos estampados,
arrastam a poeira do tempo.

Loucas, não ouvem a chuva,
não beijam as flores
no deserto das manhãs.

Quando dorme o sol,
seguem teu caminho,
e te perdes entre fantasmas
e seres dementes.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Canção de Ano Novo

Os tambores do velho ano estão mofados.
Batucadas acordam as mulheres e os homens,
ensinam as crianças, os passos da festa.

Vivos estão os pássaros presos na garganta.

O riso guardado explode na boca,
os olhos salvam as imagens
dos sonhos melhores.

O Ano Novo chega velho e cansado.

No arquivo, milhões de pedidos.
No ar, essências de esperança.

Nos calendários, promessas marcadas
iluminadas nas asas do sol.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Cinderela

Atrás das portas
sou o enredo
dos palácios.

Observo-me
no leito.

Relógios quebrados
marcam meia-noite.

Sou
a Cinderela
sem sapatos.

Desfeito o encanto,
quebram meus dedos.

Altos são meus saltos
e o preço das joias.

À realidade, volto.
Trapos cobrem meu corpo,
visto o brilho das lágrimas.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Longe



Abraço meu corpo
e encontro  almas
a vagar desertos.

Soletro teu nome,
dedilho rosários.

A tarde, espero
vestidos rendados.

 Nas janelas,
ouço a valsa
 dos palácios.

Trêmulas,
as mãos desenham
lenços e laços.

o vento sopra suores
numa quarta-feira
sem batucada.

Respiro o ar frio
das madrugadas.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Confetes Mofados

Vago no tempo,
espero flores e abraços.

Fecho portas e janelas,
Abro as gavetas
onde guardo as cartas
de amores embriagados.

Leio, releio.
Choro tanto!

Vou ao espelho,
seco meus olhos.
Murmuro palavras
e sílabas cortadas.

Gargalho, danço,
ouço surdos
e tambores.

A horas passam ,
sopro poemas no vazio.
Guardo no corpo,
confetes mofados.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Lugares

Lugares:
Céu, mar, aves
ondas, peixes.

A tarde leva lava
a cor os olhos.

Lá fora, sombras,
flor plástico morte.

símbolos:
asa folha mão.


Lábio vinho beijo
espelho sonho mãe
abraço girassóis.


O vento varre o chão
vermelho milho amarelo
massa forno pão.