Eu ar
do t
ar
do
um
f
ar do contigo.
Eu
canto
danço
um fado
e sigo.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Sansão no Quarto.

O cabelo colado na porta do quarto,
fixava a casa no mapa de Pernambuco.
Sua força domava a cadência dos passos
num giro em torno de si mesmo.
Livros,livros e livros
no chão do mundo.
Todas as filosofias
lidas e estudadas.
O riso soltava-se na boca cheia
de sabores apurados pelo sol.
Lunática,
a alma se materializava
nos fios de fumaça.
Nas paredes e nas portas
desenhos de folhas
e sementes de marijuana.
No quarto, Sansão calculava
a matemática do tempo passado,
transformado nos ventos.
Quando
Quando uma criança continuar a ser
e a pular ondas num mar distante,
serei poeta e gauche na vida.
Levarei as flores e folhas
do último outono.
Sentirei nos lábios
a saudade dos beijos
com gosto de sal.
Ouvirei tua voz mansa
a contar histórias
de um tempo bom
onde coqueiros dançavam
ouvindo o mar.
e a pular ondas num mar distante,
serei poeta e gauche na vida.
Levarei as flores e folhas
do último outono.
Sentirei nos lábios
a saudade dos beijos
com gosto de sal.
Ouvirei tua voz mansa
a contar histórias
de um tempo bom
onde coqueiros dançavam
ouvindo o mar.
domingo, 27 de setembro de 2009

90 Cachorros (Para Hilda Hilst)
No escuro da vida,
ouvimos latidos.
90 cachorros
rasgam os laços
da solidão.
Pausas, afagos,sussurros.
Anjos chegam,
afinam as vozes.
Iluminam-se as flores
nas tardes de um domingo
passado na sala vazia.
Giram em torno de si mesmas.
Translúcidas, salvam-me,
tornam-se mais vivas.
90 cachorros em círculos,
cheiram o ar e os olhos secos
sugando os poderes da grana.
90 cachorros vagam em movimento.
Decifram os sinais na pele
e no olhar dos homens.
sábado, 26 de setembro de 2009
A Rosamoça
A Rosamoça
Tava legal a pose da moça.
Silenciosa e distraída,
debruçava-se na janela.
O tempo e o vento
se enroscavam
nas lembranças
e nas flores
estampadas nas saias.
As lágrimas choradas no escuro
estavam marcadas
na alça da blusa desbotada
e numa calça azul secando no varal.
Tímida e atlética,
a Rosamoça ganhava a noite.
Corria veloz depois de uma estrela cadente,
atrás do amor sonhado
montado num cavalo branco.
Tava legal a pose da moça.
Silenciosa e distraída,
debruçava-se na janela.
O tempo e o vento
se enroscavam
nas lembranças
e nas flores
estampadas nas saias.
As lágrimas choradas no escuro
estavam marcadas
na alça da blusa desbotada
e numa calça azul secando no varal.
Tímida e atlética,
a Rosamoça ganhava a noite.
Corria veloz depois de uma estrela cadente,
atrás do amor sonhado
montado num cavalo branco.
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